Textos

Do óbvio

“Do que é que mais gostarias?”, o espelho devolvia-me a pergunta exactamente como eu a formulara. Outra coisa não seria de esperar.

Do que mais gostaria? Talvez de ser como os fáceis sem me importar com isso. De escrever como escrevem os fáceis sem aí sentir qualquer pudor. De olhar para um relógio e falar da espera, de olhar para uma árvore e falar da vida, de olhar para um pássaro e falar da liberdade, assim sem pensar duas vezes e sem ter a consciência de nada vir acrescentar ao leque das palavras ditas.

Escrever sobre aquilo que é óbvio para todos é afinal a receita certa para vender livros.

Hugo Picado de Almeida

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2 thoughts on “Do óbvio

  1. Talvez tenha razão, Hugo. Mas o que é óbvio, também aborrece, e o Hugo tem com certeza a noção de que o ser humano, por ser insatisfeito por natureza, acaba sempre por procurar algo diferente. É a sede da descoberta. Por isso, não se renda ao óbvio, mesmo que os outros nem sempre gostem ou entendam o que escreve. Bom domingo! 🙂

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