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Marianne Moore, poetisa norte-americana, disse um dia que quando escrevia para o The New York Times não sabia nunca se, de cada vez que escrevia para o jornal, essa seria a última.

Penso muitas vezes nisso, na última vez em que se faz alguma coisa. Na última vez em que se vai ver uma pessoa, na última vez em que se visitará tal sítio, na última vez em que se beijará alguém, na última palavra que se dirá. E, bem assim, na última vez em que escreverei, embora aqui o medo maior seja de que essa tenha já passado, e que estas linhas não sejam senão um adiado estertor.

O mais injusto é não ser nunca possível sabê-lo de antemão. Mais bem empregaria as horas noutra ocupação, caso soubesse que nenhum esforço mudará a cor à página.

Hugo Picado de Almeida

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