Textos

27 de Janeiro

O tempo, que passa sempre e sobre tudo, não deveria passar sobre o Holocausto. Fica a sensação de que um dia isso poderá, tornando as mós uma e outra vez, esfarelar a memória até dela já não restarem senão as migalhas fragmentadas que de um sopro se arrancam dos livros de História. É por isso que os cadáveres devem ser vistos, de preferência à hora do telejornal e à mesa de jantar, para que nos façam o mal que devem.

É por isso que as imagens repetidas devem ser vistas com cuidado, que uma e outra vez sobreviventes e chefes de Estado se encontrem em Auschwitz, que as velas sejam acendidas uma e outra vez. Para que o tempo, que passa sempre e sobre tudo, não passe sobre o Holocausto.

Um dia já não haverá sobreviventes do Holocausto, mas todos terão morrido em Liberdade.

Hugo Picado de Almeida

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