Textos

«The obsessive fear of the Americans is that the lights go out.», Baudrillard

truck-chevy
Ontem percebi que nos EUA não há “minutos” de silêncio, mas apenas “momentos”. Não mais de dez segundos de suspensão. Porque nem a morte nem a memória poderão sobrepor-se à vida de quem não tem história, só publicidade. No SuperBowl, se há quinze ou trinta segundos que vão interromper a transmissão, serão os do McDonalds, da Chevrolet ou da Coca-Cola. Ninguém perdoaria mais do que isso; ninguém suportaria mais do que isso, mesmo tratando-se da homenagem a alguém. Talvez nem os mortos o permitissem e regressassem, coléricos, se por eles se esperassem sessenta segundos completos. Nos EUA, só a publicidade pode interromper a narrativa aos vivos — e interrompe de facto: as séries, os jogos, uma viagem de táxi, os passeios na rua, as fachadas de alvenaria dos edifícios. A verdadeira promessa já não está nos super-heróis de Hollywood, mas nos ecrãs da publicidade. A partir de agora, ela é o verdadeiro cânone, o maior filme de heróis, a grande narrativa do amor e do sucesso.

Não foi ingénua a Chevrolet, ao ocupar um dos intervalos com um focus group onde as mulheres unanimemente preferem, a um indivíduo ao lado de um “truck” da marca, o mesmo indivíduo ao lado de um Toyota Corolla descaracterizado.

Hugo Picado de Almeida

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