Textos

“La Goulue et Valentin-le-Désossé”

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[a partir de “La Goulue et Valentin-le-Désossé”, de Toulouse-Lautrec. Litographie, 1887]

O momento carrega em si os caminhos que levaram até ele.
Os olhares que me depositaram a mão na tua,
As palavras que da boca vão à cintura
Bordejando no compasso apressado, multiplicado
Na súplica do tempo forte que logo se anuncia,
Do tempo forte que é o nosso,
Precipitado em vaporosa cadência.

As histórias começam sempre a meio,
Na alta-velocidade do que não poderia deixar de acontecer.

Há em mim o que de resto é loucura,
A dança cambiante da certeza que não dura,
A dúvida insistente que prolonga a esperança
E nos entrelaça os braços.
Há em mim a ânsia expectante das tuas costas nuas.
O movimento do dedo feito agulha sobre a pele, lendo
Enquanto o cetim se faz vinil pelo prazer da melodia, crescendo,
E todo o corpo coluna, evolando-se o som
Que nos esborrata contra a vida.
Dissipa-nos as fronteiras que
Nos atraem e misturam
E nos servem assim, inesperados felizes,
Nos braços em passos de dança,
No corpo a corpo do combate próprio e a bonança,
Das cores indestrinçáveis num desenho de criança.

Hugo Picado de Almeida

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