Textos

“Moulin Rouge”

220px-Lautrec_moulin_rouge,_la_goulue_(poster)_1891[a partir de “Moulin Rouge”, de Toulouse-Lautrec. Affiche, 1891]

Tous les soirs…
É teu o rosto e o nome e a cor
Que esses vultos reúne em mancha,
Para te ver através do fumo espesso
Onde a tua imagem escorre, lânguida,
Como as lágrimas de absinto que beijam o copo,
Desfocando o corpo, em ânsia.
Tous les soirs…
É a espuma da tua saia branca que neles brota,
O marulhar das sedas contra a barra da saia,
O rumorejar sedoso das ondas de renda que te acaricia a perna
E que desafia os olhos do profundo ao mergulho,
Ao vislumbre talvez náutico que deles faz marinheiros sem barco nem cais
Nesta margem da realidade em Paris.
Tous les soirs…
Postos eles assim de atalaia na amurada da pista
Enquanto danças, flexível, exímia,
No galope dos espíritos a rebate, perante
Os teus mastros de vidro tinto, em riste.
Dir-se-ia que disparam, troando no ar depois de vincarem o tabuado
Ao agitarem as águas vãs em que eles, de fraque, balançam.
Do aplauso, do brinde, do suspiro contido
Acusam no peito o êxtase dançado
Sem uma bóia que os agarre.
Se eles navegassem de facto e tu de Capri fosses sereia,
Do Mundo só se conheceria metade.

Hugo Picado de Almeida

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