Textos

À bientôt, Charlie!

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Nunca um tiro calou uma caneta,
Ainda que por terra destapada
Ela se esvaia na torrente da tinta que inunda.
Que o sangue mancha e preenche
E se faz nódoa para não ser esquecido
Como os Homens que se tatuam no Mundo
Com a resolução da tinta permanente.
Se o atentado alcança algo não é senão
O dar às vítimas a retumbante despedida,
Ao som da explosão, da salva de canhão
Feita banda-sonora à elegia destemida
Nas praças de Paris.
O que fica do atentado é a atrocidade original
Que elogia e confessa incontornável
Quem sabia levar a vida armado pelo poder de se rir.
Que aplaude e confirma inolvidável,
Que recorda e canta, e promete multiplicável
Quem a não ser com tinta entendia seu direito pedir.

Je ne suis pas Charlie, mais je ne l’oublie pas.
Je ne suis pas Charlie, mais il faut le devenir.

Hugo Picado de Almeida

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