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Creio sentir-me mais europeu do que português.

Portugal não está mal de todo, Lisboa sabe bem seduzir-nos, e será o país, ainda assim, um dos locais onde se pode desejar existir, sobretudo se comparado com alguns dos sítios do globo onde as gentes vão insistindo em nascer, para infelicidade de todos. De todo o modo, creio sentir-me menos português do que europeu. E talvez não possa ser de outra forma. O campo do nascimento no passaporte implica sempre um desvio emocional, uma tendência umbilical, e os cordões talvez não se safem de ser amarra e obrigação. A livre adesão a um conceito e a todos os valores que lhe vêm por arrasto é que é bela.

E talvez nada haja de mais belo do que duas pessoas à conversa em línguas diferentes, ou numa terceira que possam partilhar e que lhes torne íntimas palavras e feitos e paixões. Comunicar traduz-se aí; no que é igual é pouco legítimo encontrar comuns. Para mim, a Europa é isso.

Hugo Picado de Almeida

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