Textos

Ter o Saramago ao ombro

(Foto de Pera Nikolic)

(Foto de Pera Nikolic)

Quando se diz que a escrita (ou a obra) sobrevive sempre ao seu autor está a dizer-se a verdade. E é bom que assim seja. Como dizia o meu Professor Abel Barros Baptista, o que seria de nós se tivéssemos o Saramago a espreitar-nos sobre o ombro enquanto líamos As Intermitências da Morte? Em sentido contrário, porém e também, é muito provável que um autor não possa, sobretudo em vida, sobreviver à sua escrita. Porque a escrita é sentença interpretativa, nunca inócua, nunca calada. Causa feridos e mortos, queima e arrasa. Sei bem que desejava escrever o que não posso e sobretudo o que não devo. Sei ainda que o escrevo na mesma mas que não o dou a ler, e portanto não vou além da mesma possivelmente tola cobardia de falar a um telefone sem morada do outro lado. Quem escreve é evidentemente o leitor, e escreve-se sempre para alguém.

Hugo Picado de Almeida

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