Textos

Estamos sempre a escrever sobre o amor

«I never felt right being alone; sometimes it felt good but it never felt right.», Charles Bukowski.

Na verdade, nem importa muito sobre o que escrevemos. Estamos sempre a escrever sobre o amor. E se comummente temos sucesso em camuflá-lo, isso não nos deve iludir. Estamos sempre a escrever sobre o amor e não nos libertamos disso. E bem, pois é ele a única coisa sobre a qual vale a pena escrever. É ele a coisa por que vale a pena viver.

Por excelência, o escritor é o homem longe de quem ama. Sei bem que, de outro modo, ele largaria caderno e caneta e saberia as mãos mais bem ocupadas. O que se escreve pode bem mais proficuamente dizer-se ao ouvido. O que se escreve pode bem mais prazerosamente comunicar-se por lábios e mãos. A vida fez-se durante séculos ou milénios sem da escrita ter tido necessidade, e a maioria das mulheres do mundo foi conquistada sem serem necessários poemas. Não foi a literatura que trouxe aos Homens os dilemas, nem tão pouco se propôs deles a libertá-los. Porque a escrita vem depois da vida mas não vai além dela. Nem deve, pois que aí perderia toda a relevância que tem. A escrita não nos serve para nada a não ser desejar ou sonhar.

O escritor sabe disso, assim como sabe que há melhor companhia na cama do que uma caneta destapada.

Hugo Picado de Almeida

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