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Não pintar a Liberdade

Não sei já quem é que outro dia ouvi dizer que o que detestava no pintar das paredes lá de casa era o saber que o quarto se tornava mais pequeno a cada nova demão dada, sufocado pelas camadas de tinta que, em micro-escala, iam ocupando das paredes para o centro toda a divisão. E se a ideia pode parecer tola ou inocente, radical ou despicienda, ela parece-me sobretudo uma das coisas mais genuinamente poéticas que se pode dizer da Liberdade. Ah!, que bela homenagem lhe faria se ao menos me lembrasse de que indivíduo era esse para quem uma fracção de milímetro podia representar ameaça e prisão.

Hugo Picado de Almeida

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