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Balzac estava errado

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Composição a partir de 3 fotografias de Prokudin-Gorsky, feitas entre 1909 e 1911, na Rússia.

Balzac estava  errado. A fotografia não rouba o corpo, antes o constrói. Não apaga camadas, antes as adiciona. E preserva. É assim que as fotografias de Sergey Prokudin-Gorsky, nos primórdios da história da fotografia a cores, nos trazem hoje gentes que, de outro modo, teriam já perdido todas as suas camadas, deixado de habitar o planeta, no anónimo esquecimento que, mais tarde ou mais cedo, nos vence pelo cansaço. Gentes que, no que nos concerne, nunca teriam sequer chegado a existir.

Diz-se que as pessoas morrem duas vezes: uma quando morrem, de facto, e outra quando o último indivíduo que as conheceu diz o seu nome pela última vez. Mas talvez haja uma terceira forma de um Homem desaparecer: quando se destrói a sua última fotografia. O digital arrisca-se, por isso, a cumprir a promessa de nos tornar imortais.

Hugo Picado de Almeida

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