Textos

Das lutas que se perdem

No Tarass Bulba, de Gogol, página preenchidas por valorosos cossacos, por vezes mais ébrios, por vezes menos, sitiando cidades aos polacos, perseguindo a toque de sabre e explosão de mosquete turcos e tártaros, sente-se, porém, uma quase amorosa felicidade nessa vida simples, entre o acampamento e o campo de batalha, uma quase pueril satisfação nesses meses e anos desprendidos, em abnegação, no serenar dos desejos que animam os homens para lá da guerra. Gogol vai enumerando esses homens — Kukubenko, Borodati, Titarev, Golopitenko… –, os que se batem ferozmente, os que morrem, os que se batem ferozmente e que morrem…

No ponto onde pousei o livro, os temerários cossacos da Ucrânia fenderam as suas forças para salvarem os irmãos feitos reféns ora pelos polacos, na cidade cercada, ora pelos tártaros, que invadiram e saquearam o Sietch, acampamento fixo dos zaporogos ucranianos. 

As coisas não parecem promissoras para os valentes cossacos, mas talvez nos livros como na vida, seja como cantam os Anaquim: «Há lutas que se perdem mas precisam que alguém lute.»
Hugo Picado de Almeida

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