Literatura, Pensamentos

As armas de Chekov

No mundo da escrita, há uma dica que dá pelo nome de Chekov’s Razor — a navalha de Chekov –, atribuída ao famoso contista russo,  que recomendaria que se eliminassem sempre as três primeiras páginas do primeiro rascunho de um texto.

Dizia ele que era preciso não adiar demasiado o começo da acção, e que geralmente se gastavam três páginas em descrições vãs, detalhes supérfluos, caminhos secundários e aspectos de somenos importância.

Tenho algumas reservas em relação a esta arma de Chekov. Sou mais adepto da outra, a Chekov’s Gun — a pistola de Chekov, princípio em que o escritor russo defende que, se no início de um texto ou de uma peça se fala de ou se expõe uma arma, é muito necessário que alguém a dispare num capítulo mais adiante. Em todo o caso, não acredito que na literatura se deva fincar muito o pé em concepções que facilmente se tornam movediças, ou sequer tentar estabelecer regras universais.

O problema das regras em literatura será, talvez mesmo, o simples facto de elas serem aplicadas à literatura. A navalha de Chekov, por exemplo, seria uma ferramenta de grande préstimo para os discursos do Gaspar, e a pistola… Bom, o melhor será não falarmos da pistola.

 

Hugo Picado de Almeida

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