Livros

Marcadores de páginas, contágio

Sei bem que tenho manias.

Ontem, por exemplo, já cansado de decorar o número da página de um dos livros que ando a ler, resolvi ir até à gaveta para me socorrer de um marcador. O primeiro candidato que me veio à mão, soerguendo-se do molho onde os tenho, foi um alusivo a um livro do Paulo Coelho: Monte Oito, ou sete ou seis, já não sei bem nem me dignei a ir procurar. Larguei-o de imediato, como se receasse a peste, subindo-me pelo braço como há séculos trepou pela perna da Itália. Um marcador a dizer Paulo Coelho num livro do Sartre? Um marcador alusivo a um escritor de misticismos e alquimias e espiritualidades no L’Existentialisme est un Humanisme? Seria preciso eu estar doente, demente, para fazer tal afronta ao Sartre, ensanduichando-lhe entre as páginas, apertado contra elas, o incenso e as purpurinas do Paulo Coelho.

Fui, portanto, em busca de outro marcador. Afinal, se os marcadores marcam as páginas, é preciso cuidado com aquilo a que as expomos. Sei bem que isto talvez não seja nada, mas a mim faz-me diferença.

 

Hugo Picado de Almeida

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