Pensamentos

Gostava mais disto quando…

Gostava mais disto quando as máquinas se nos entregavam como ferramentas e se limitavam a fazer o seu trabalho bem feito.

Não me apraz nem um bocadinho que as máquinas, de repente, se armem em espertas e se ponham a deitar palpites para o ar, feitas donas do pedaço, observando com certa sobranceria tudo aquilo que fazemos nelas, tornadas juízes do mundo. 

Hoje, o Word assinalou-me uma frase no seu sublinhado verde, dizendo «Locução própria do nível de linguagem informal.» Depois de aplacar a vontade de aplicar um sopapo no rosto luminoso do computador sorridente — não sem usar contra mim o escárnio de quem julga tudo saber –, continuei a ler, que o programa acrescentava, paternalista, «Pondere o emprego de uma expressão alternativa.»

Não imagina a maquineta, porém, que a linguagem informal pode ser desejada, porque a engenhoca não sabe senão aquilo que outras gentes puseram nela, gentes que também não são capazes de destrinçar certas coisas. O problema está em que, aquilo que na boca desses indivíduos era mera opinião, na matemática dos computadores se torna lei e certeza, e se insinua sobre todos os que devem lidar com eles. É assim que as máquinas hão-de dominar o mundo, empossando as gentes de vistas curtas e cinzentas de poder legislativo. E executivo. E judicial…

 

Hugo Picado de Almeida

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