Cultura, Literatura, Política

Se rima, então deve ser verdade

António Aleixo, poeta e vendedor de cautelas, oferecia nas suas quadras pedaços de sabedoria com a mesma facilidade com que certamente vendia a sorte.

Há nas suas quadras imediatas como que aforismos inteligentes, daquela inteligência simples e musicalmente ressoante que o povo muitas vezes esconde. Deixo aqui apenas duas — que dando pouco se aguça a vontade de mais –, e nem preciso de as endereçar a ninguém para que percebam como podem, ainda hoje, sobretudo hoje, ser perfeitamente dirigidas a alvos que tão bem conhecemos.

«Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos, que pode o povo
Qu’rer um mundo novo a sério.»

«Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias
hoje que podes — esqueceste
Tudo o que prometias…», in Este Livros Que Vos Deixo…, de António Aleixo

Quem assim ataca os seus alvos não apenas os insulta; sai do acto ele próprio elevado.

 

Hugo Picado de Almeida

Anúncios
Standard

Escrever um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s