Metro

Histórias a Metro #4

Sabia que isto havia de acontecer um dia; era forçoso que acontecesse: ser castigado pelo que escrevo.

Há poucas semanas, escrevi uma reclamação ao Metro, protestando contra a deterioração do serviço e as condições por vezes nada menos do que nazis em que os passageiros se amontoam nos vagões.

Ontem, decidi escrever novamente a essa mui simpática instituição que rasteja sob a cidade, insurgindo-me, como faço às terças-feiras, contra a forma encapotada como os preços dos passes aumentaram quase 75%, com a tão engenhosa como pouco ética manobra de criar o passe Navegante — esse “passe dos passes” –, mais caro porque alarga os serviços, naturalmente, ainda que o cidadão não os queira usar, eliminando todas as alternativas de passes próprios para cada transporte.

Quando fui para casa, o Metro filou-me com toda a naturalidade, ressabiado, castigando-me. Para começar, parou o meu comboio a meio de um túnel, entre estações, e depois apagou as luzes, antecipando o Halloween em 24 horas para os passageiros das seis da tarde. Depois, aos bochechos, lá chegou à estação do Campo Pequeno, onde decidiu fincar o pé, fazendo birra, anunciando que avariaria para dali não mais sair, fazendo, por sua vez, todos os passageiros abandonarem os túneis e virem à superfície, como lhes faz bem. Quem não gosta, vai a pé!

 

Hugo Picado de Almeida

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