Crise, Pensamentos, Política

O Ataque, a Bomba, o Napalm

Não deixa de ser curioso, e não pode passar em claro, que seja precisamente quando, em Portugal, Seguro fala de uma “bomba atómica fiscal”, Bagão Félix refira o “napalm fiscal”, e que tantos deputados como jornais se divirtam com metáforas bélicas, como o “ataque” e a “pancada”, que a União Europeia seja agraciada com o Prémio Nobel da Paz.

Há, evidentemente, algo que está mal.

A resposta estará, certamente, também nos jornais, que desde ontem decidiram passar a referir-se — bem alinhados como um exército (e eis que também já a mim me converteram) — ao aumento de impostos como “sismo”, “tsunami” e “furacão”. Afinal, percebemos agora que tudo não passa de uma catástrofe natural, e conquanto seja grave, poderemos puxar os cantos da boca para cima e alegrarmo-nos, pois que os Homens então não têm culpa. É a economia, essa coisa tão natural, que é feita de ciclos como a vida, também muito naturalmente. Se a vida nasce e morre, por que não a economia, os mercados, e até o bom-senso e inteligência dos políticos? Com tanta naturalidade — um pouco como os carros de alta-cilindrada que, segundo parece, são medida para aferir a qualidade da democracia –, talvez o melhor seja mesmo transformar Portugal numa ervanária, e despachar o conjunto dos deputados em blísteres de 12 unidades, como cápsulas para a rouquidão e afonia.

Bem vistas as coisas, nunca ninguém levou os portugueses a falar tão bem e tão alto.

 

Hugo Picado de Almeida

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