Arte, Cultura, Pensamentos

Pensamentos sobre as «Cenas da Vida Conjugal»

Estive ontem no D. Maria II a assistir às Cenas da Vida Conjugal, de Bergman.

A peça, entre o cómico e o violento, percorre os dias e os anos de um casal que começa por ser normal para depois se tornar anormal e, por fim, surreal. O fim da peça não parece já remotamente possível; torna-se desconfortável e estranhamente onírico, mas quando a cortina baixa e o público se levanta — é bom sinal quando o teatro se concretiza por esta ordem — fica-se devedor da ideia de que o normal não é, afinal, aquilo que supúnhamos. De facto, enquanto os minutos correm pela peça nos vamos apercebendo de que o casal em palco é, afinal, o espelho triste de muitos casais fora dele. Isso não pode deixar de entristecer-nos grandemente.

Nas Cenas, é a vida que é posta em palco, e é muito necessário que algo se tire do palco para a vida, sob pena da Arte perder parte fulgurante do seu conteúdo para se animar apenas com a estética. A estética é importante, claro, até porque os olhos também comem, mas à estética basta uma pedrada, atirada como que sobre um vidro, para que se estilhace. Eu, que sei declaradamente pouco sobre a vida, vejo estas Cenas de Bergman como um manual de normas, uma colectânea de regras, mas apresentado pelo seu inverso: Não faças o que eu faço!

 

Hugo Picado de Almeida

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