Pensamentos

“Entre l’arbre et l’écorce il ne faut pas mettre le doigt”

Nos últimos dias temos tido uns amigos franceses em casa, e desde ontem que notei algo curioso. Com a mente focada no francês, muitas das conversas distantes que os ouvidos me captam na rua, no Metro ou no trabalho, daquelas suficientemente distantes para que dificilmente se consiga descortinar as palavras, todos esses diálogos longínquos me parecem ser feitos em francês.

Há, claro, outra hipótese a pôr: a de que todos os lisboetas se tenham tornado perfeitos falantes de francês, e que façam questão de se expressarem na língua da alta cultura (e da alta-costura, se os autores fossem outros): Balzac, Victor Hugo, Voltaire, Rosseau, Montesquieu, Flaubert, Baudelaire, Dumas (pai e filho) e tantos, tantos outros. Enfim, talvez todos leiam em voz alta as desventuras íntimas do Marquês de Sade; o ambiente sócio-político parece propício a isso, entre invectivas de cidadãos para partidos e destes entre si, ou da mais recente altercação de boudoir entre amantes da coligação.

 

Hugo Picado de Almeida

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