Crise, Pensamentos, Política

A Eterna Política

Cada vez me convenço mais de que o eterno retorno de Nietzsche é coisa bem real.

E não falo apenas daquele casal que todos os dias entra no Metro, pelas 18h15, no Saldanha ou nas Picoas (já não sei ao certo) e que dia após dia veste o mesmo rosto enfadado e fala sempre no mesmo tom irritado, dando muitos estalidos com a língua e sacudindo a cabeça com violência, criticando o chefe, os colegas, os ex-colegas e todo o trabalho, enfim, tomado geral e abstractamente.

Falo também, e talvez sobretudo, de situações de importância mais assinalável e evidente. É possível que os políticos tenham deixado de ser necessários, e por sua própria culpa. Os governos sucedem-se nas suas intervenções, promessas e consequentes traições a um ritmo certo, como se seguissem um guião circular. Quando o Sócrates estava no governo, o Passos defendia que não era possível aumentar mais os impostos, algo que veio a fazer, sendo agora a vez do Seguro dizer que não se podem sobrecarregar mais os portugueses. Quando o Sócrates era governo, dizia que este era o tempo de nos unirmos, o que o Passos e o Relvas não ouviram mas que agora também pedem para si.

Mal para nós, que talvez nunca consigamos escorraçar de vez as crises, mas pior para eles, que acabarão por ser empurrados da cadeira. O demónio do eterno retorno, para eles, talvez seja a promessa da violência, cada vez mais latente.

 

Hugo Picado de Almeida

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