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Hoje, que se contam 11 anos do 11 de Setembro, em que aviões e aeroportos, embaixadas, bolsas de valores e grandes terminais de transportes se preparam para fazer face à ameaça numérica que foi sendo deixada no ar, torno a publicar um texto que comecei a escrever em Nova Iorque, em Fevereiro deste ano, e que aqui publiquei em Março:

9/11 Memorial, Nova Iorque,
27 de Fevereiro 2012,
Hugo Picado de Almeida

«O Memorial do 11 de Setembro, em Manhattan, é o sítio mais barulhento de Nova Iorque, e isso espanta tanto quanto o facto de, na cidade, o trânsito fazer muito pouco barulho. A cidade que nunca dorme não é tão barulhenta quanto se possa pensar.

O Memorial do 11 de Setembro é realmente o sítio mais barulhento da cidade, e essa é a melhor homenagem que se poderia fazer às vítimas. Um memorial silencioso – o mesmo seria dizer, um memorial europeu – no meio de Nova Iorque seria uma ferida aberta; a melhor maneira de sarar a ferida é tornar a sua cicatriz confundível com a própria pele, e é por isso que o World Trade Center manterá o seu nome e recuperará as suas torres. Terá duas a menos, é certo, por respeito às falecidas Torres Gémeas, mas em seu lugar – no mesmo exacto lugar −, surgem agora as duas grandes pools que se, por um lado, mantêm intacto o espaço visual que as célebres torres ocuparam um dia, por outro, mantêm também intacto – se calhar superando-o − o espaço sonoro que elas ocupavam, e dessa formam logram reparar a falta e o orgulho de um país que não pode nem quer parar. É preciso que a economia recupere, e com ela a própria vida, claro.

Na Europa, talvez fosse impossível fazer o que se está a fazer em Manhattan. Não teríamos, provavelmente, cinco novas torres em construção, e dificilmente teríamos uma loja de souvenirs – apesar de toda a decência e respeito que se sente no memorial nova-iorquino.», 5 de Março de 2012

 É esta a forma da América dizer que não perdeu essa guerra que não será nunca possível resolver pela força, e é preciso admirar-lhes a resiliência. Aqui fica, às vítimas e aos heróis.

Hugo Picado de Almeida

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