Cultura, Pensamentos

Gato de biblioteca

Sabemos já que este país não é para escritores, que não é para músicos, que não é para actores e ainda menos para escultores, mas que também não é para leitores nem para espectadores, nem para muitas outras pessoas. Que não é para desempregados nem para empregados, e também não para reformados, nem para os que pagam impostos. Será, talvez, um país para políticos, os únicos que se parecem animar grandemente em torno dos acontecimentos que comovem o país.

Outro dia, passando ao frente ao Palácio Galveias, aconteceu espreitar pelo portão do pátio de acesso ao edifício. Lá dentro, sobre a grande laje que atapeta o chão da entrada do Palácio, um gato esperava, sentado, muito quieto, olhando fixamente para a porta fechada da Biblioteca Municipal. Queria entrar, coitado, mas ninguém o deixou.

Afinal, se este país não é para mais ninguém, haveria de o ser para gatos, reaccionários, leitores?
Não é à política aconselhada tanta liberdade. De que lhe valeria evitar que as pessoas lessem se depois o permitisse aos gatos?

 

Hugo Picado de Almeida

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