Pensamentos

O ritmo dos braços

Sempre me causou algum fascínio o nosso jeito de balançar os braços enquanto andamos. Ou enquanto corremos, ou enquanto passeamos indolentemente. O que há no nosso balançar de braços é todo o estado de espírito que nos anima, e todas as nossas intenções. Quando passeamos, abandonamos os membros — os superiores, que os inferiores não podemos aí negligenciar — , deixando-os boiar ao nosso redor, mas quando corremos tranformamo-los nas pás de um motor, implacáveis e afiados como lanças numa cadência bélica.

Algo semelhante acontece com os pombos e respectivas cabeças, que balançam para a frente e para trás para permitir a focagem aos olhos incapazes de o realizar por si. E se os pombos balançam a cabeça para ver para onde vão, talvez nós balancemos os braços para definir para onde vamos, bem como as nossos propósitos. O braço, tendencialmente cilíndrico, é um dos principais canais para entrar no mundo. E se o olho vê sempre e tudo, é a mão que agarra, é a mão que cumprimenta ou agride, é a mão que celebra a paz e que anuncia a guerra, que acaricia ou magoa.

Evidentemente, desejamos muito pelas mãos, e talvez elas sejam mesmo a melhor maneira de ver.

 

Hugo Picado de Almeida

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