Ciência, Mitos, Pensamentos

A Lua cheira a mofo

A Lua cheira a mofo. O que, de resto, se compreende e aceita, como às casas amofinadas por há muito não se lá ir.

A coisa funciona assim: há no Met, em Nova Iorque, uma exposição sobre o Espaço, e no espaço da exposição há uma maquineta da qual se aproxima o nariz e se carrega num botão, sendo-se imediatamente bafejado pela fragrância da Lua. Um mestre-perfumeiro ou um enólogo talvez detectassem notas de sedimentos pulveráceos e apontamentos de vegetações criptogâmicas parasitárias, e também eles estariam certos, ainda que a coisa soasse quase a gourmet. A verdade é que, sem esses artifícios linguísticos, se tratava de pedras, pó e mofo. É isso a que a Lua cheira, e de nada vale fantasiarmos mais sobre o assunto.

Claro que este dado poderá entusiasmar aqueles que acreditam que a Lua que o Homem pisou está numa cave em Hollywood (temos essa crença, de que tudo está ou pode estar lá), mas eis que talvez seja que, na verdade, seja a própria Hollywood que está na Lua, pois que não temos possibilidade de lhe tocar e de andar nela sem ser pelo ecrã. Terá sido o ecrã a ir à Lua, ou a Lua a descer ao ecrã? O que parece a mesma coisa, pode não o ser.

 

Hugo Picado de Almeida

Anúncios
Standard

Escrever um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s