Literatura, Livros

Homenagem a Hemingway

No passado dia 26, escrevi sobre um livro autobiográfico de Ernest Hemingway: Paris é uma Festa.

Ernest Hemingway, sem que eu soubesse disso, morreu faz hoje precisamente 51 anos, e curiosamente, foi esta madrugada que terminei a leitura do livro. Não será uma má homenagem.

Hemingway escreveu no último parágrafo desse livro que «Paris é imortal (…). Paris vale sempre a pena, pois somos sempre compensados de tudo o que lhe tivermos dado.», e hoje apetece-me dizer que também ele, talvez como todos os (grandes) escritores o são: valem sempre a pena, o tempo que lhes dedicamos nunca é desperdiçado, e o que com eles se aprende, ou aquilo que neles nos provoca o choque ou nos repele, configura sempre momentos de particular beleza, momentos de clarividência que se podem tornar tudo aquilo que desejarmos, tudo aquilo que deles soubermos retirar.

A estas frases, sabemos que Hemingway as escreveu no ano anterior à sua morte, cerca de um ano antes de se ter suicidado, e sente-se nelas, como em todo o livro, essa retrospectiva nostálgica e pacífica, crítica mas reconciliadora, desencantada mas ainda doce, do filme que já não volta. «Paris continua sempre», mas Hemingway também.

«Paris era assim nos velhos tempos em que nós éramos muito pobres e muito felizes.» Assim termina o livro, com essa promessa extensível à literatura, também ela sempre de braços abertos, sempre disposta a dar a quem a ela se entregar.

 

Hugo Picado de Almeida

Anúncios
Standard

Escrever um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s