Crise, Política

Pelos olhos de Passos Coelho

É triste ver uma pessoa dizer palavras que não compreende. Mais triste ainda é ver uma pessoa dizer palavras que não compreende e essa pessoa ser o Primeiro-Ministro de Portugal.

Passos Coelho disse que «estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. (…) Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida (…)».

O que Passos Coelho não compreendeu é que «despedir-se ou ser despedido» é diferente de «estar desempregado». Isto porque quem se despede ou quem é despedido não fica necessariamente no desemprego, desde que tenha a possibilidade de se lançar como trabalhador independente ou de voltar ao activo, se o desemprego não for o problema que é hoje em Portugal. Assim, «despedir-se ou ser despedido» poderia efectivamente ser uma oportunidade, mas «estar desempregado» no actual contexto só é oportunidade para alguém como o próprio Passos Coelho, que, sem nunca antes ter trabalhado na vida, foi, no espaço de dois ou três anos, administrador de uma série de empresas, e de várias delas em simultâneo.

Mais triste do que ver o Primeiro-Ministro de Portugal dizer palavras que não compreende, só mesmo ver o Primeiro-Ministro de Portugal insistir no erro que cometeu.

 

Hugo Picado de Almeida

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