Política

Desta vez, Sarkozy tem razão

Pela primeira vez, dou razão a Sarkozy:

O espaço Schengen é uma bonita criação, mas só pode funcionar se os países que a ele pertencem controlarem as suas fronteiras com o exterior desse mesmo espaço. Quando estou em casa, posso passar da sala ao quarto com naturalidade, e aceito que quem cá está comigo faça o mesmo. O que não posso é permitir que alguém me entre pela porta da rua, arrombando-a, e venha para a sala ou para o quarto, quem sabe empurrando-me até da cama para fora para se deitar no meu lugar.

O problema, em parte, é que está na moda falar mal de Sarkozy. É o problema do pensamento político tradicional, que, por ser tradicional, já não habita apenas as mentes dos políticos, mas de todos os cidadãos: se eu sou de esquerda e o Sarkozy de direita, discordaremos até ao fim. Pois eu, que também sou de esquerda, concordo com Sarkozy neste ponto. Está ultrapassada, e tornou-se perigosa e contraproducente , a ideia de que a esquerda quer a liberdade a todo o custo, assim como a direita quer a segurança paranóica. Nem uma coisa nem outra são verdade.

Quando Sarkozy quer os imigrantes ilegais fora do seu país, não quer expulsar pessoas pela cor da pele, nem está sequer a insinuar que os imigrantes ilegais são criminosos; está apenas a tentar que as leis se cumpra e que haja ordem no país que governa. Olhemos para a realidade: dos Estados Unidos da América à China, de Marrocos ao Brasil, em praticamente todos os países organizados do mundo, todos os países exigem vistos para a entrada de pessoas, e vistos de residência para a permanência por mais de X tempo, visto de trabalho, etc.

O problema na Europa é que, por nos termos habituado, e bem, a poder viajar dentro do espaço Schengen como se dentro do nosso próprio país, nos esquecemos de como é o mundo lá fora, ou do que significa essa livre circulação. Afinal, continuamos a ser tristemente paternalistas para com o mundo, achando que somos os bons professores da Humanidade, e que aqui todos encontrarão um porto seguro onde se refugiar.

Dizemos que os EUA querem ser os polícias do mundo; nós queremos ser os pais. Estamos ambos errados.

Hugo Picado de Almeida

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