Pensamentos, Viagens

Escritos de Nova Iorque #5

Nova Iorque começa muito antes de Nova Iorque, e não acaba nunca. Pelo menos é essa a sensação que se tem quando se olha para as ruas e avenidas sem fim. Esse parece ser o objectivo maior da grelha da cidade, o de fazer toda a gente sentir: «Eu estou sempre no centro.»

É impossível não nos sentirmos no centro de tudo quando estamos em Manhattan. As avenidas parecem crescer igualmente infinitas para cada um dos lados, de tal modo que Nova Iorque não parece ter periferia. O que está em torno dela é outra coisa que já nada tem a ver com ela, e que a geometria da cidade procura apagar. Nela, o ponto de fuga escapou mesmo – quando se olha para o fim das avenidas, não se vê nada ao fundo −, e é preciso perguntar se, no fim, ainda subsiste algo. É que Nova Iorque não tem horizonte, e quando queremos ver uma paisagem, atravessamos a ponte de Brooklyn, ou o Lincoln Tunnel, só para olhar para trás, de volta para Manhattan.

O objectivo de Manhattan é atrair-nos para si, e evitar que de lá saiamos. É por isso que as suas avenidas não acabam; uma vez nelas, devemos eventualmente sair para tomar outra decisão – e direcção −, assim como num labirinto devemos andar às voltas e não sair.

Se o que acontece em Vegas, fica em Vegas, o que acontece em Nova Iorque, fica connosco.

Hugo Picado de Almeida

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