Livros

Tintim absolvido

Aqui há uns meses escrevi um artigo sobre a entrada num tribunal belga de uma queixa de racismo sobre o livro Tintim no Congo; hoje, venho dar conta de que o tribunal absolveu Hergé, declarando que tal queixa não tem fundamento, e dizer mais umas palavras sobre o tema.

Culpabilizar os livros pelos erros e problemas da Humanidade é sintomático das sociedades que se revelam incapazes não apenas de se reconciliarem com a sua história mas também de educarem os seus cidadãos de acordo com o conjunto de valores que consideramos universalmente bons: a liberdade, a igualdade, a fraternidade.

O cidadão congolês que protagonizou a queixa pretendia que, se o livro não fosse retirado das livrarias, ao menos fosse acompanhado de uma nota introdutória onde o contexto da sua redacção fosse explicada – que triste precedente se abriria, criando condições para que, de hoje em diante, todos os livros de ficção tivessem que explicar o contexto em que foram escritos, e o contexto em que vivem as suas personagens. O cidadão congolês referia-se, por exemplo, ao que acontece no Reino Unido, onde o Tintim no Congo é exposto na secção de livros para adultos…

É possível que não haja nada mais ridículo do que uma cultura que tem medo de si própria: de não saber ensinar, de não saber explicar, de não saber compreender.

Hugo Picado de Almeida

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