Pensamentos

Informação: a inusitada mercadoria

Hoje vivemos na Era da Informação. Não sou eu que o digo; dizem-no todos aqueles que sentem o pulso às sociedades.

Não podemos, no entanto, passar pela frase como se de uma obviedade se tratasse, ou como se constatássemos apenas o que a cronologia do Mundo já se cansou de referir. A verdade é que a Era da Informação difere de todas as outras eras num ponto essencial.

Acompanhem-me: Hoje, sabemo-lo, a Informação tornou-se equiparável a uma qualquer matéria-prima; a Informação é mercadoria – as lógicas da guerra, da desinformação e da contra-informação são sintomas disso mesmo, ou o testemunho de crimes: dar informações à polícia é moeda de troca que permite comprar uma pena mais amena, ou mesmo um acordo de imunidade.

Se a informação é mercadoria, e se vivemos na Era da Informação, será legítimo que ensaiemos colocar a Informação em pé de Igualdade com o carvão, o petróleo, ou qualquer outro valor mercantil que tenha sido distintivo de uma qualquer época. O que há em comum entre estas matérias-primas? O seu elevado valor, a sua capacidade para conduzir e condicionar as economias num dado momento histórico. Ora, o que nos deve interessar é que isso não acontece com a informação – a não ser na guerra, onde a informação pode valer vidas, ou na sala de interrogatórios, onde a informação pode valer a liberdade. Como o meu amigo Bruno Cardoso me disse uma vez, falando sobre os jornais gratuitos: «a única verdade que as pessoas querem é a verdade de borla», e isso deve fazer-nos pensar.

O que significa, então, que aquilo que mais valor tem hoje em dia, a mais alta mercadoria contemporânea, seja oferecida, atirada para o chão da ágora, para a arena pública, como ouro maldito ou diamantes de sangue? Não nos pode passar ao lado que, na Era da Informação, já ninguém esteja disposto a pagar pela Informação. Isto impõe uma profunda ruptura com o passado: o bem mais valioso perdeu valor comercial, mas, e talvez sobretudo por isso, ganhou tremendo valor estratégico, e não é senão por isso que também já ninguém quer cobrar por ela.

É, por isso, necessário que reformulemos: Hoje vivemos na Era da Contra-Informação.
Toda a informação se tornou engodo, isco e arma.

 

Hugo Picado de Almeida

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