Política

Entendendo os discursos do poder

Quando alguém diz algo tão bem e tão certo, resta-nos aplaudir e dar-lhe lugar. Hoje deixo-vos, por isso, com uma citação de Jean Baudrillard:

«(…) é enquanto acontecimentos hiper-reais, que já não têm exactamente conteúdos ou fins próprios, mas indefinidamente refractados uns pelos outros (tal como acontecimentos ditos históricos: greves, manifestações, crises, etc., é nisto que são incontroláveis por uma ordem que só pode exercer-se sobre o real (…), acabando o próprio poder por se desmantelar neste espaço e por se tornar numa simulação de poder (desligado dos seus fins e dos seus objectivos e votado a efeitos de poder e de simulação de massas). A única arma do poder, a sua única estratégia contra esta deserção do real é a de reinjectar real e referencial em toda a parte, é a de nos convencer da realidade do social, da gravidade da economia e das finalidades da produção. Para isso usa, de preferência, o discurso da crise (…). Enquanto a ameaça histórica lhe vinha do real, o poder brincou à dissuasão e à simulação, desintegrando todas as contradições à força da produção de signos equivalentes. Hoje, quando a ameaça lhe vem da simulação (a de se volatilizar no jogo dos signos) o poder brinca ao real, brinca à crise, brinca a refabricar questões artificiais, sociais, económicas, políticas. É para ele uma questão de vida ou de morte. Mas é tarde de mais.»

in Simulacros e Simulação, Lisboa: Relógio d’Água (1991).

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