Crise, Política

O sistema

Um cartaz do PCP na Avenida da República incita-nos a “rejeitar o Pacto de Agressão”. Eu cá acho que o certo – até porque talvez o contrário não seja possível – é aceitar o Pacto de Agressão. Agora, há é que proceder como nas verdadeiras guerras, e dar também, em vez de apenas receber.

Falo-vos, então, da necessidade premente que é a de deixarmos de dar a outra face e começar a dançar a lambada, mas cuidado, apontando apenas a quem deve ser chamado à responsabilidade. Nunca concordei com certezas do género «os políticos são todos iguais», e talvez ainda hoje não concorde. Penso, no entanto, que a política os pode, efectivamente, tornar iguais. A política, como encenação igual à de qualquer espectáculo – teatral ou, talvez, até de malabaristas -, deve travestir-se, maquilhar-se, deixando a pele em palco se tanto for necessário para manter a ilusão. Que ilusão? Neste momento, a ilusão de que pelo voto decidimos e mandatamos alguém para defender os nossos direitos.

O problema central é esse: pensarmos viver em democracia quando, na verdade, vivemos no capitalismo; sistemas que adorariam poder viver em conjunto mas que se odeiam de morte. E por nada isso nos deve causar estranheza. Quantos homens e mulheres não juram que se amam e, um mês após consumado o casamento, juraríamos nós que parecem ter declarado uma fatwa um ao outro?

Tenhamos a certeza de uma coisa: nenhum Governo europeu está a tentar resolver a crise.

 

Hugo Picado de Almeida

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