Crise, Pessoas

Achas para a fogueira

Há quem o condene por assassinato depois de fartos banquetes – como se lhe coubesse o papel de carrasco da gula -, há quem o afirme rejuvenescedor, mesmo purificador, há quem o considere prejudicial se em demasia, há quem o tome diariamente, ou dia sim, dia não, e haverá ainda, certamente, quem não o tome de todo, por vontade própria ou por manifesta impossibilidade. Falo-vos, naturalmente, do banho, actividade a que me dedico diariamente, não apenas por motivos de higiene mas também por razões intelectuais. A banheira pode ser o espaço de reflexão por excelência. Ainda assim, por interessantes que possam ser, não é das minhas estadias na região da casa onde habitualmente habitam as banheiras que vos quero falar.

Hoje, na rua, ali para os lados do El Corte Inglés, ouvi uma mulher dizer ao marido: «Também ninguém te diz para tomares banho todos os dias, mas… pelo menos usa um lenço de papel». Obviamente não sei, nem pretendo saber, a que latitude do corpo era recomendado o uso do tal lenço, mas numa altura em que as agências de rating dizem que fazemos parte dos PIIGS e que ameaçam considerar-nos “lixo”, era de todo dispensável dar-lhes razão.

Hugo Picado de Almeida

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