Ciência, Cultura, Pessoas

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Um médico norte-americano diz que consegue tornar azuis os olhos castanhos, permanentemente, com recurso a um laser.

Cá eu, que os tenho castanhos, prefiro deixá-los como estão. Se a mudança é permanente, deixo-me estar quieto. Há-de chegar o dia em que toda a gente vai ter olhos azuis, e quando todos forem assim, suecos contrafeitos, nórdicos à emporter, eu vou abrir os olhos todas as manhãs e, em frente ao espelho, admirar-me perante o conjuntural exotismo da minha íris cor de madeira.

Correrei, então, o risco natural de ser olhado como uma espécie de corcunda do olhar, alguém que não teve a felicidade de ser tocado pelos milagres da mais avançada técnica oftalmológica, como um dia eventualmente serão as mulheres, e os homens, que não estejam apetrechados com silicone numa ou mais partes do corpo, que não tenham uma entrada USB na nuca ou um braço mecânico e a voz do Terminator – ou do Rogério Samora. Talvez a vida se torne mais difícil, mas acho que serei capaz de viver com isso.

Citando o Variações: «Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga.

 

Hugo Picado de Almeida

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