Livros, Pensamentos, Pessoas

A chuva e os chineses

Ontem, fugindo da chuva em passo apressado pela rua, lembrei-me de um ensinamento chinês citado, se não estou em erro, n’A Sala Magenta, de Mário de Carvalho. Tal ensinamento dá-nos conta do encontro, num dia de chuva como os deste final de Outubro, entre dois homens. Enquanto um seguia tranquilo, alheio à chuva, um outro seguia a correr, procurando abrigo. Ao encontrar o primeiro, pergunta-lhe:

– Por que não corre a abrigar-se?

– Porque lá adiante também chove.

Ainda que admire o estoicismo deste indivíduo, e sem qualquer dúvida de que lá adiante também chovia, confesso que preferi dardejar pela rua, enquanto a chuva, suicida, se abatia na calçada com anormal violência. Calculo que seja por coisas como esta que, um dia, os chineses, se não morrerem ensopados de pneumonia, hão-de mandar no mundo.

Hugo Picado de Almeida

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