Livros, Pensamentos

Ficção

A Igreja arrasa, segundo o Público, o mais recente romance de José Rodrigues dos Santos, em que este, aparentemente, se propõe revelar a verdadeira identidade de Cristo.

Na minha opinião, tanto a Igreja como José Rodrigues dos Santos caíram no mesmo erro: julgar que uma obra de ficção deve procurar descobrir a realidade. Ainda assim, se quanto ao José Rodrigues dos Santos podemos perceber o erro, por ser jornalista e não escritor, devemos admirar-nos da atitude da Igreja, já que é ela a autora do maior best-seller de ficção de todos os tempos: a Bíblia.

Façamos um favor à ficção: escrevê-la enquanto tal, e lê-la em concordância.

Hugo Picado de Almeida

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4 thoughts on “Ficção

  1. JPS diz:

    1 discordância:
    O erro que refere ao JRSantos penso que ele o comete propositadamente e não é uma ingenuidade dele… Ele sabe que ao escrever uma obra de ficção onde remete a factos supostamente científicos e históricos, está passar uma mensagem aos leitores de que aquilo é mesmo verdade! Assim o fazem muitos escritores de best-sellers (como Dan Brown) com intuito de criar uma espécie de doutrina anti-Igreja, muito bem sucedida num público que adora mistérios e verdades escondidas muito bem floreadas, mas que não quer sequer ir à raíz dos factos, do conhecimento e da verdade histórica.

    1 correcção:
    A Igreja não é autora da Biblia… Pelo menos dito dessa forma parece um autêntico disparate!
    A Biblia é o conjunto dos 73 livros (Antigo Testamento 46 e Novo Testamento 27) escritos por inspiração divina e tem 40 autores, num período temporal entre 1445 e 450 a.C. (A. T.) e 45 e 90 d.C. (N. T.). A Inspiração divina é o que caracteriza e essencialmente distingue a Bíblia de todos os outros livros humanos. Acreditar na Inspiração da Sagrada Escritura é um dogma de fé para os crentes e para a Igreja. Para os restantes será mais um livro histórico…

    • Hugo Picado de Almeida diz:

      Caro JPS,

      Antes de mais, agradeço a sua participação e contributo para este espaço.
      Quanto ao que refere, não digo que José Rodrigues dos Santos seja ingénuo; o que digo é que o que ele faz, tal como o Dan Brown, é uma ficção encapotada, porque, tal como você bem referiu, ele acredita que os factos que escreve são verdadeiros, ou pelo menos assim os pretende servir aos leitores. Não digo, sequer, que não seja um escritor de sucesso. Digo, apenas, que não partilho da mesma visão do que é, ou deve ser, a ficção.

      Percebo, obviamente, o que quer dizer quando diz que a Igreja não é autora da Bíblia, mas penso não poder concordar. Esses tais 40 autores que refere, quem são senão os apóstolos e demais personagens próximos de Cristo e da sua fé? E quando me fala da inspiração divina, respeito a sua opinião e crença, claro, mas para mim isso é algo que não existe, pelo que não entra sequer na minha equação. Para mim, a Bíblia foi escrita por gente próxima ou integrante de uma Igreja em construção, gente de carne e osso como eu ou você, sobre coisas de que nenhum de nós poderá dar provas (como o JPS disse, e bem, são dogmas de fé) motivo pelo qual, de resto, é hoje propriedade da Igreja ou, pelo menos, assim reclamada.

      Mais uma vez, obrigado pelo seu contributo.

      Cumprimentos,
      Hugo Picado de Almeida.

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