Crise, Livros, Política

Sobreviver a Vítor Gaspar II

Já Jean Baudrillard dizia que «a realidade imita a ficção».

Ora, isto nunca foi tão verdade como em Portugal nos dias de hoje. Só é pena, no entanto, que ao depararmos com a necessidade de escolher qual a ficção que melhor se coaduna com os nossos interesses, não tenhamos enveredado por algo como um clássico da Disney, onde no final tudo se compõe, ou mesmo pelas aventuras de Alice no País das Maravilhas onde, apesar de toda a sorte de sustos e reveses, se descobre que tudo, por pior que tenha sido, não passou de um sonho.

Na verdade, acredito que, ao invés disso, Portugal tenha decidido imitar O Triunfo dos Porcos e o seu principal mandamento: «Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros». Na verdade, é precisamente isto que Vítor Gaspar quer dizer com «Os sacrifícios estão a ser distribuídos equitativamente», como o disse ontem na RTP, quando sabe perfeitamente que as pensões vitalícias dos ex-políticos foram poupadas nos cortes que atingem agora todos os funcionários públicos e pensionistas que ganhem mais de mil euros, e que são os mesmos de sempre – a classe média e as famílias – os que serão obrigados a pagar mais uma crise.

Hugo Picado de Almeida

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