Cultura, Pensamentos

Adeus, letra cursiva

O Illinois, o Indiana, e o Hawaii, três dos quarenta e seis estados norte-americanos que adoptaram uma nova norma educativa, a Common Core Standards (CCS), já anunciaram que, nas suas escolas, o ensino de caligrafia já não faz parte do programa. Os restantes quarenta e três estados que adoptaram a CCS podem decidir igualmente, já que, segundo a norma, o ensino da letra cursiva é optativo e pode ser abandonado para privilegiar “áreas mais importantes”.

As escolas destes estados passam agora a centrar o ensino da escrita nos teclados e, nos casos em que ainda ensinem a escrita à mão, apenas será ensinada “letra de forma”, solta, igual à dos computadores, visando, segundo dizem, “tornar os alunos competentes a escrever num teclado”. Há que compreender: qualquer um de nós – seres cursivos -, falha estrondosamente no acto de dactilografar, e essa falta é obviamente responsabilidade das perninhas e apoios das letras juntas que nos ensinaram nos remotos tempos do Windows 3.1.

Espera-se, portanto, que daqui por alguns anos, um verdadeiro manuscrito seja uma visão rara, já que mesmo aquilo que for escrito à mão – se o for – o será pela mão robótica de algum miúdo padronizado, saído da linha de montagem em que o ensino parece estar a ser convertido, pelo menos nos EUA.

No meio de tudo isto, resta apenas esperar que não os ensinem a escrever em Comic Sans.

Hugo Picado de Almeida

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